Zíper

Autor: Ebi

Categorias: Contos

Idioma: Português

Gêneros:  Yaoi, Drama, Publico, Exibicionismo

Sinopse
Durante um acampamento com as namoradas, Júlio decide testar até onde consegue levar a tensão que sente por Tiago. Escondidos pela escuridão da barraca e com as duas garotas a poucos metros de distância, uma aproximação invasiva coloca Tiago entre o medo de ser descoberto, a pressão de Júlio e uma reação que ele próprio não sabe como interpretar. 

Já era noite e o ar ao redor do acampamento estava frio. Os quatro estavam sentados em volta de uma fogueira. De um lado, Clara e Beatriz conversavam baixo, enroladas em um cobertor. Do outro, Tiago mexia nas brasas com um graveto, quieto.

Júlio mal participava da conversa. Ele passava a maior parte do tempo observando Tiago. Notava os gestos dele, a maneira como respondia a Beatriz, sua namorada. Para quem olhasse de fora, eram apenas dois amigos em um acampamento. Mas Júlio sentia uma tensão crescente sempre que olhava para o outro rapaz.

"Estou com frio. Vamos para a barraca ver o filme?", disse Beatriz, levantando-se.

Todos concordaram. Tiago jogou terra sobre o fogo para apagá-lo e o local ficou escuro. Na confusão de pegar as lanternas e entrar na barraca, Júlio esbarrou de propósito em Tiago. O contato foi rápido, mas foi o suficiente para ele. Estava decidido sobre o que faria a seguir.

Dentro da barraca, as meninas se ajeitaram com o laptop de um lado, colocando fones de ouvido para dividir o áudio. Júlio e Tiago deitaram nos sacos de dormir ao lado delas, em silêncio. A única luz vinha da tela do computador.

O único som dentro da barraca era o diálogo abafado de uma comédia romântica que escapava do fone. A luz azulada da tela pintava os rostos de Clara e Beatriz, absortas no filme. Elas dividiam um par de fones de ouvido, criando um pequeno mundo particular para as duas.

Para Júlio e Tiago, deitados nos sacos de dormir ao lado, essa bolha era a camuflagem perfeita. Eles estavam na penumbra, de frente um para o outro. Júlio sentia o corpo inteiro vibrar. A proximidade de Tiago era uma dor física. E ali, com suas namoradas a um metro de distância, vivas e acordadas, a ideia do que ele estava prestes a fazer era tão apavorante quanto irresistível.

A mão de Júlio saiu do saco de dormir e deslizou pelo espaço mínimo entre eles. Ele tocou o ombro de Tiago. O corpo do outro garoto enrijeceu. A mão de Júlio desceu, abrindo o zíper do saco de dormir com um cuidado infinito. Ele enfiou a mão no calor abafado e o encontrou.

Estava mole. Júlio o segurou, seus dedos envolvendo a pele macia por cima do tecido do shorts. Tiago soltou uma respiração trêmula. Ele estava paralisado.

Júlio se aproximou, sua boca a milímetros do ouvido de Tiago.

"Se você falar alguma coisa," Júlio sussurrou, a voz um veneno suave, "elas vão achar que você é viado. Que você gostou. É melhor ficar quietinho e curtir, não acha?"

A ameaça pairou no ar. Tiago estremeceu. A armadilha havia se fechado. Júlio sorriu no escuro.

Ele continuou a carícia lenta por cima do tecido, sentindo a resposta relutante do corpo de Tiago, o sangue correndo para lá, o órgão ganhando vida. A transformação de macio para duro sob sua mão era a prova da sua vitória. Quando sentiu que Tiago estava completamente duro, ele parou por um instante, saboreando o poder. Então, sua mão deslizou para o elástico do shorts de pijama e da cueca por baixo, e lentamente, empurrou ambos para baixo, pelas coxas musculosas, até que o pau de Tiago estivesse completamente livre.

A visão dele, ereto e pulsante na penumbra, fez o próprio pau de Júlio doer dentro da calça. A pele era lisa, a cabeça de um roxo escuro, uma gota de pré-gozo brilhando na ponta. Estava ali, real, exposto para ele. Nu. A completa nudez de Tiago, mesmo que apenas da cintura para baixo e escondida por um saco de dormir, era uma capitulação. Era a prova de que ele pertencia a Júlio naquele momento.

Sua mão envolveu a pele quente e esticada. Era diferente agora, sem o tecido. Mais íntimo, mais real. Ele começou a masturbá-lo, e desta vez, ele tomou seu tempo. Queria que durasse. Queria explorar cada centímetro.

Seu polegar circulava a cabeça sensível, espalhando a lubrificação natural. Seus dedos deslizavam pelo corpo do membro, sentindo a veia que pulsava em sincronia com a respiração presa de Tiago. Ele podia sentir os músculos da perna de Tiago se contraindo a cada movimento, podia ouvir o suspiro quase inaudível que escapava dos lábios dele. Tiago estava se desfazendo sob seu toque, e a visão de seu corpo reagindo, traindo sua mente, era o que mais excitava Júlio.

Ele estava usando o garoto hétero popular, o namorado de Beatriz, como sua puta particular, e as namoradas deles estavam a um metro de distância, rindo de um filme idiota. A audácia, o perigo, a sujeira de tudo aquilo era a fantasia suprema. Ele acelerou o ritmo, a mão movendo-se com uma precisão experiente, o som úmido de sua palma na pele de Tiago se tornando o único foco no mundo.

A respiração de Tiago ficou irregular. Ele estava chegando lá. O pânico, a humilhação e o prazer lutavam em seu corpo imóvel. Júlio sabia que precisava controlar o final. Ele usou a mão livre para cobrir a boca de Tiago, abafando qualquer som que pudesse escapar.

Com alguns movimentos finais e rápidos, Tiago gozou. Seu corpo deu um espasmo violento, mudo, o orgasmo contido explodindo em silêncio na mão de Júlio.

Ele manteve a mão na boca dele até os tremores cessarem. Depois, limpou-se discretamente em seu próprio saco de dormir. Mas o ato não havia terminado. A mão de Júlio voltou para dentro do saco de dormir de Tiago. Enganchou os dedos no elástico da cueca boxer, já úmida e caída nos joelhos, e lentamente, a puxou para fora. Ele a trouxe para perto de seu rosto na escuridão e inspirou profundamente. O cheiro era almiscarado, íntimo, o cheiro de Tiago misturado ao cheiro forte de pau. O cheiro de sua posse. Ele escondeu a cueca, seu troféu, dentro de seu próprio saco de dormir.

Ele não fechou o zíper de Tiago. Deixou-o aberto, deixando o corpo do outro garoto nu da cintura para baixo, exposto ao ar frio da barraca, usado e abandonado. Então, ele se deitou de costas, o corpo vibrando de adrenalina.

O filme terminou. Júlio ouviu o laptop sendo fechado.

"Ai, que sono," disse Beatriz. "Vou dar um beijo de boa noite no meu amor."

O pânico atingiu Tiago como um raio. Ele ouviu o farfalhar do saco de dormir da namorada, o som dela se movendo na direção deles. Ele estava nu, exposto, a prova de sua humilhação a segundos de ser descoberta.

A adrenalina quebrou sua paralisia. Num único movimento rápido, desesperado e quase silencioso, Tiago agarrou o zíper de seu saco de dormir e o puxou para cima com violência, fechando-o até o peito no exato instante em que a sombra de Beatriz caiu sobre ele.

"Nossa, dormindo pesado," ela sussurrou, dando um beijo estalado na bochecha dele. Tiago não se mexeu, o coração ameaçando explodir. Beatriz, sem suspeitar de nada, voltou para o seu lugar.

O silêncio voltou a dominar a barraca enquanto Beatriz se ajeitava para dormir. Tiago ficou imóvel, sentindo a porra morna escorrendo pela base do pau e colando nos pelos da coxa. O membro continuava ali, semi-duro e babado, latejando contra o tecido sintético do saco de dormir. Ele encarou a escuridão, com a mente em um caos absoluto, processando o toque de Júlio e o quase flagrante da namorada. "Que porra foi essa?", ele pensou, sentindo o coração martelar contra as costelas. "Por que essa merda foi tão boa?".

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