O Nosso Segredo

Autor: Ebi

Categorias: Contos

Idioma: Português

Gêneros: Yaoi, Hardcore, Drama, Romance, Submissão, Incesto

Sinopse

João e Erick dividem muito mais do que o mesmo quarto. O segredo que mantêm há anos começa a desmoronar quando Marcela entra na vida de Erick e desperta ciúme, possessividade e o medo de serem descobertos. Entre culpa, paranoia e uma relação cada vez mais difícil de negar, os dois precisam decidir se conseguem abandonar aquilo que construíram ou se vão se fechar ainda mais dentro do próprio segredo.



Capítulo 1: O Quarto nos Fundos

O quarto que João e Erick dividiam na casa em Porto Alegre era um espaço pequeno, abafado e permanentemente impregnado com o cheiro de desodorante barato, mofo e hormônios. As duas camas de solteiro ficavam separadas por um corredor de menos de um metro, uma distância que, na prática, nunca existiu entre eles. Para João, de 19 anos, aquele cômodo era um refúgio e uma prisão. Ele evitava espelhos; odiava a pele marcada pela acne, o corpo desengonçado e a timidez que o tornava invisível no mundo lá fora.

Já Erick, aos 18, era o centro de gravidade da casa. Tinha os cabelos escuros sempre bem cortados, um rosto que parecia esculpido e uma segurança agressiva que irritava João tanto quanto o excitava. Erick não conhecia a vergonha; andava pela casa só de toalha, ou menos que isso, sabendo exatamente o efeito que sua perfeição causava no irmão mais velho. O que acontecia entre eles não tinha um nome definido na cabeça de ambos. Começara anos antes como uma curiosidade infantil, toques por cima da roupa em noites frias de inverno sob o mesmo edredom. Mas a inocência fora enterrada há muito tempo, substituída por uma necessidade bruta e recorrente.

Naquela noite, o zumbido de um ventilador velho era o único som da casa. João sentiu Erick afundar o colchão e, antes que pudesse pensar, a mão do irmão já subia por sua camiseta. Erick nunca pedia licença. Puxou João para um beijo brusco, carregado de uma urgência que os dois conheciam bem.

Erick se afastou apenas alguns centímetros, o suficiente para João ver o brilho predatório em seus olhos escuros, iluminados pela luz fraca que vinha da rua.

— Tá com medo de quê, João? Sou eu — sussurrou Erick, a voz rouca vibrando contra a pele de João.

Sem esperar, a mão de Erick desceu para o cós da bermuda de João, puxando-a para baixo de uma vez, arrastando a cueca junto. O pau de João saltou para fora, já pulsando de antecipação. Erick riu baixo, um som gutural que João sentiu no peito, e começou uma punheta rápida e firme. João arqueou as costas, enterrando o rosto no travesseiro para abafar os gemidos. Ele sentia a acne do rosto roçar no tecido áspero, sentia-se feio e exposto sob o olhar do irmão, mas o toque de Erick era como uma droga poderosa que anestesiava qualquer autocrítica.

Erick tirou a própria bermuda e voltou para cima de João. O beijo recomeçou mais agressivo, enquanto João se agarrava aos ombros dele, dividido entre desejo e vergonha.

— Cospe na mão, João. Vai — ordenou Erick, o hálito quente contra o ouvido do irmão.

João obedeceu. Erick guiou a mão dele e aproximou ainda mais os dois corpos, enchendo o quarto com respiração ofegante e o ruído abafado dos movimentos.

Eles se embolaram na cama, uma confusão de membros, respiração ofegante e dentes. Erick apertava as nádegas de João com uma força que deixaria marcas roxas, puxando o corpo do irmão para mais perto, enquanto beijava seu pescoço com selvageria. João estava no limite. Ele sentia o pau de Erick roçando no seu, a fricção levando-o a um auge insuportável.

— Eu vou gozar, Erick... porra... — João gemeu, a voz quebrada pela falta de ar.

— Goza. Goza tudo em mim, seu puto — Erick respondeu, acelerando o ritmo da mão de João no seu próprio membro com uma fúria final.

Os dois chegaram ao fim quase juntos e ficaram alguns minutos largados um sobre o outro, ofegantes, até a respiração desacelerar.

Não houve carinho depois. Entre os "dois irmãos héteros", aquilo precisava parecer banal. Limparam-se com uma camiseta velha, vestiram-se e agiram como se tivessem terminado uma partida de videogame. Era assim que justificavam a rotina: dois caras apenas se ajudando, sem admitir o que aquilo realmente significava.

Erick sentou-se na beirada da cama de João, o rosto bonito agora calmo sob a luz da lua, mas com um brilho de satisfação cruel nos olhos.

— Ô, João — chamou ele, sem olhar para o irmão, enquanto ajeitava o cabelo. — Conheci uma guria hoje. A Marcela. Puta que pariu, que mina gata.

João, que estava prestes a deitar de volta, sentiu o corpo enrijecer instantaneamente. O estômago deu um nó.

— É? — a voz de João saiu seca, quase um sussurro.

— É. Chamei ela pra dar um rolê amanhã. Vamos no cinema, ali no Shopping Praia de Belas. Acho que vou levar ela pra algum lugar depois... motel ou sei lá. Ela tá bem afim, deu pra ver.

João encarou o teto escuro. O ciúme subiu por sua garganta como um refluxo ácido, queimando tudo por dentro. Ele imaginou Erick beijando aquela guria com a mesma boca que acabara de devorar a sua, tocando-a com as mãos que ainda estavam sujas com o seu sêmen. O pensamento daquela "intrusão" feminina no mundo deles o destruía.

— E eu com isso? — João resmungou, virando-se para a parede para esconder a expressão de dor.

— Só tô falando, caralho. Tu é meu brother, né? — Erick deu um tapa forte e brincalhão na perna de João, levantou-se e voltou para a própria cama. — Amanhã vou precisar daquela tua camisa preta emprestada. A que fica melhor em mim.

Erick apagou o abajur, mergulhando o quarto na escuridão completa. João ficou ali, ouvindo a respiração tranquila e rítmica do irmão. Ele sentia a porra secando em seu peito, repuxando a pele, e o ódio por Marcela crescendo a cada batida do seu coração. O jogo tinha mudado, e João sabia, com uma clareza aterrorizante, que não ia suportar dividir o corpo de Erick com mais ninguém.

Capítulo 2: O Aquecimento

O sábado amanheceu com aquele sol pálido de Porto Alegre, mas o clima dentro do quarto era de funeral para João. Ele passou a manhã inteira observando Erick se movimentar. Erick estava animado, assobiando, escolhendo o perfume. A cada movimento do irmão mais novo, João sentia uma pontada de ódio.

Erick pegou a tal camisa preta de João. No corpo dele, o tecido esticava nos ombros e realçava os braços definidos. João olhou para o próprio braço no espelho, fino e sem graça, e sentiu vontade de quebrar o vidro.

— Me ajuda aqui com a gola, João — Erick pediu, parando na frente dele.

João se aproximou, as mãos trêmulas. O cheiro do perfume de Erick, um amadeirado forte, se misturava ao cheiro natural da pele dele que João conhecia tão bem. Ao tocar o pescoço do irmão, o tesão e a raiva se chocaram.

— Tu vai mesmo sair com essa guria? — João perguntou, a voz saindo mais baixa do que pretendia.

Erick deu um sorriso de lado, aquele sorriso que dizia que ele sabia exatamente o que estava fazendo com a cabeça do irmão. Ele segurou os pulsos de João.

— Vou. Mas antes... eu tô meio tenso. Preciso relaxar pra não chegar lá e gozar na calça só de olhar pra ela.

Sem aviso, Erick empurrou João contra a porta fechada do quarto. O impacto fez as costas de João arderem. Erick avançou e o beijou com uma fúria que não tinha nada de carinho. Foi um beijo de posse, as línguas se enrolando com agressividade, o gosto de hortelã do chiclete que Erick mastigava se espalhando pela boca de João.

— Tira a roupa — Erick ordenou, a voz agora um rosnado perto do ouvido de João. — Quero ver se tu ainda é meu brinquedo antes de eu ir ver a Marcela.

A menção ao nome da guria no meio do beijo foi como um gatilho. João, em vez de recuar, começou a arrancar a própria roupa com desespero. Erick fez o mesmo, mas deixou a camisa preta aberta, pendurada nos ombros, exibindo o peito liso e os músculos do abdômen.

Erick jogou João na cama de qualquer jeito e subiu em cima dele. Ele agarrou os braços de João, prendendo-os acima da cabeça.

— Chupa — Erick mandou, apontando para o próprio pau que já estava ereto e latejando, vermelho de sangue.

João mergulhou. Ele tomou o pau do irmão na boca com uma fome doentia, querendo sugar cada gota de essência dele para que não sobrasse nada para a guria. Ele engasgava, a garganta recebendo o membro grosso até o fundo, enquanto Erick gemia alto, a mão cravada no cabelo de João, puxando e empurrando a cabeça dele com força.

— Isso... engole tudo, João... putinha... — Erick xingava, a respiração curta.

Erick o puxou para cima e o virou de costas com um movimento bruto. Ele não usou nada além de cuspe. Juntou uma massa de saliva na boca e cuspiu direto no rabo de João, espalhando com os dedos sem qualquer delicadeza. João sentiu a dor da entrada sendo forçada, mas o tesão era maior que tudo.

Erick enfiou o pau de uma vez. João gritou no travesseiro, sentindo-se rasgado, preenchido pela carne quente do irmão. Erick começou a foder com uma violência que João nunca tinha sentido antes. Era como se ele estivesse descarregando toda a sua energia ali, usando o irmão como um receptáculo antes do encontro real.

O som da carne batendo era seco, rítmico. O suor de Erick pingava nas costas de João, o perfume caro se misturando ao cheiro de sexo cru.

— Ela não vai ter isso aqui, João... — Erick sussurrou, mordendo a orelha de João com força. — Ela é só pra fachada. Você é quem aguenta o tranco.

João rebolava, querendo mais, querendo ser destruído. Ele sentia o pau de Erick batendo no fundo, massageando sua próstata de um jeito que o fazia ver estrelas. Ele mesmo começou a se masturbar, a mão batendo frenética, o sêmen já ameaçando sair.

Erick acelerou. Ele segurou os quadris de João com as duas mãos, as unhas deixando marcas vermelhas na pele. As estocadas eram brutais, batendo no limite.

— Vou gozar dentro, João! Vou encher esse teu cu de porra! — Erick gritou.

Com um último empurrão violento, Erick explodiu. João sentiu a inundação quente dentro de si, a porra de Erick pulsando lá no fundo, uma sensação de posse absoluta. No mesmo instante, João gozou na própria barriga e nos lençóis, o corpo todo tremendo em espasmos.

Eles ficaram ali por alguns minutos, jogados um sobre o outro, ofegantes. O cheiro de sêmen e perfume era sufocante no quarto pequeno.

Erick se levantou primeiro. Ele não olhou para João com ternura. Apenas pegou uma toalha úmida, limpou o próprio pau e começou a se vestir de novo. Abotoou a camisa preta de João, ajeitou o cabelo no espelho e passou mais perfume por cima do cheiro de sexo.

— Valeu, cara. Tô bem mais leve agora — disse Erick, pegando as chaves do carro e a carteira.

João continuou deitado, nu, com o rabo ardendo e a porra de Erick escorrendo lentamente pelas suas coxas. Ele se sentia usado, descartado.

— Divirta-se — João disse, a voz cheia de veneno.

— Vou tentar. Não me espera acordado, beleza? Acho que vou levar ela pra um motel depois do filme.

Erick saiu e bateu a porta. João ficou sozinho no silêncio do quarto, sentindo o líquido frio do irmão na pele e o ódio por Marcela se transformando em algo perigoso. Ele sabia que o que aconteceu ali não tinha sido "ajuda entre irmãos". Tinha sido uma marcação de território. E ele ia garantir que Marcela soubesse disso, de um jeito ou de outro.

Capítulo 3: O Gosto do Veneno

A sala de cinema no Shopping Praia de Belas estava abafada, o som do filme servindo apenas como ruído de fundo. Erick estava inquieto. Ele não aguentava mais o fingimento daquele encontro. No meio de uma cena qualquer, ele abriu o zíper da calça jeans com um movimento brusco e puxou o pau para fora, deixando-o exposto no escuro.

— Pega — ele ordenou, a voz rouca, puxando a mão de Marcela e forçando-a contra o membro.

Marcela hesitou, o rosto queimando de vergonha e desconforto, mas acabou cedendo. Ela começou a envolver o pau de Erick com a mão, tentando fazer um movimento rítmico. Mas, em vez de o desejo subir, algo deu errado. Erick não sentia nada por ela. A pele de Marcela, o cheiro do perfume dela... nada daquilo o excitava como o pensamento de João. Em poucos segundos, o pau que estava semiereto começou a murchar na mão de Marcela, ficando completamente mole e sem vida.

Erick sentiu uma onda de humilhação e raiva subir pelo peito. Ver sua virilidade falhar diante daquela guria foi como um tapa na cara do seu ego.

— Porra, Marcela... nem pra isso tu serve? — ele rosnou, tirando a mão dela com violência.

— Eu não fiz nada, Erick! Tu que ficou assim do nada — ela sussurrou, assustada com a agressividade dele.

Erick não respondeu. Ele guardou o pau com pressa, subiu o zíper de um jeito que quase prendeu a pele e se levantou.

— Vamos embora. Essa merda de filme tá me dando sono — ele disse, saindo da fileira sem esperar por ela, deixando Marcela para trás, confusa e humilhada.

Chegaram em casa sob um silêncio cortante. O ódio de Erick por ter falhado no cinema estava transbordando. João estava na sala, os olhos fixos na TV, mas sentindo a eletricidade pesada que vinha do irmão. Ele sentiu o cheiro de Erick entrando e percebeu na hora que algo tinha dado errado.

— Onde fica o banheiro? — Marcela perguntou, visivelmente desconfortável. Erick apenas apontou para o corredor.

Assim que a porta do banheiro trancou, Erick avançou em João. Ele agarrou o irmão pelo pescoço, prensando-o contra o sofá com uma força que fez João perder o fôlego.

— Aquela guria é um lixo, João! Ela me deixa morto, não sinto porra nenhuma com ela — Erick rosnou, a respiração quente e furiosa contra o rosto de João.

João não disse nada. O tesão de ver o irmão naquele estado de fúria absoluta era instantâneo. Ele abriu a calça de Erick e viu que o pau dele, que estava morto no cinema, agora pulsava e crescia só de estar perto de João. João se ajoelhou ali mesmo e começou a chupar o irmão com uma ferocidade possessiva, engolindo o pau grosso até o fundo, querendo mostrar que só o sangue dele era capaz de dar vida a Erick.

Erick assumiu o controle e levou João para o sofá, descarregando nele toda a raiva e a humilhação do cinema. O móvel rangia com a força dos movimentos.

— Só você, João... só você me deixa assim, caralho! — Erick sussurrava entre dentes, batendo o quadril com força contra a bunda de João.

Erick gozou fundo, um urro abafado escapando enquanto despejava jatos de porra quente dentro do irmão. João também explodiu, sujando o estofado. Eles se vestiram às pressas, o coração batendo na garganta, apenas segundos antes de ouvirem o clique da porta do banheiro.

Marcela voltou para a sala. Ela parou no meio do caminho. O cheiro de sêmen fresco, suor e sexo cru era tão forte que parecia uma parede física. Ela viu os dois sentados, ofegantes, com os cabelos bagunçados e o rosto vermelho.

— Erick? — ela começou, a voz trêmula.

Erick, em um surto de arrogância e fúria, abriu o zíper de novo. O pau dele estava para fora, ainda babado pela saliva de João e melado com o resto da porra que escorria.

— Vem aqui, Marcela. Já que no cinema tu não conseguiu, ajoelha agora e termina de limpar — ele ordenou, o olhar cínico.

Marcela olhou para o pau dele, depois para João, que limpava o canto da boca com um sorrisinho de vitória. A ficha caiu com um estrondo. O nojo, o asco e a compreensão de que os dois estavam se comendo na sala enquanto ela estava no banheiro a atingiram como um soco.

Em vez de obedecer, Marcela deu um passo à frente e descarregou um tapa violento no rosto de Erick.

— Ficou louca, sua puta? — Erick rosnou, segurando o rosto atingido.

— Loucos são vocês! — Marcela gritou, a voz carregada de ódio e repulsa. — Vocês dois são doentes! Dá pra sentir o cheiro dessa podridão de longe! Vocês se merecem, dois animais nojento!

Ela olhou para João com um desprezo que o fez se encolher.

— Eu só saí contigo, Erick, porque tu tem esse rostinho bonito. Mas por dentro tu é um lixo. E tu, João... tu é um perturbado. Eu vou embora e vou fazer questão que todo mundo saiba o que vocês fazem aqui. Ninguém vai olhar na cara de vocês sem sentir vontade de vomitar!

Marcela pegou a bolsa, ajeitou o vestido e caminhou até a porta. Antes de sair, olhou para trás uma última vez e cuspiu no chão da sala.

— Porcos.

A porta bateu com uma força que estremeceu os vidros. No silêncio que sobrou, Erick continuava com a calça aberta e a marca do tapa ardendo no rosto. João olhou para ele, o medo finalmente vencendo o tesão.

— Ela vai contar, Erick... ela vai acabar com a nossa vida.

Erick fechou o zíper devagar, o rosto transformando-se em uma máscara de ódio frio.

— Ela não vai contar nada. Mas agora, João... a gente tem um problema de verdade pra resolver.

#### Capítulo 4: A Podridão

As palavras de Marcela ficaram presas nas paredes do quarto como fumaça tóxica. *Doentes. Porcos. Podridão.*

João não conseguiu dormir. Horas antes, os sinais de Erick em seu corpo pareciam um troféu; agora lhe causavam repulsa. Levantou-se para se lavar e, diante do espelho, voltou a enxergar cada marca de acne como prova de que havia algo errado com ele. Pela primeira vez, a desculpa de que aquilo era "normal entre irmãos" desmoronou.

No café da manhã, o silêncio era absoluto. A mãe deles fritava ovos, comentando sobre o calor de Porto Alegre, sem desconfiar que, a poucos metros, os dois filhos carregavam um segredo que destruiria a vida dela.

— Vocês estão quietos hoje. Algum problema na escola? — ela perguntou, colocando os pratos na mesa.

João sentiu o estômago revirar. Ele não conseguia olhar para ela. Ele via as mãos da mãe e pensava naquelas mesmas mãos cuidando deles quando crianças, sem saber que eles tinham se tornado "animais". Erick, que sempre foi o mestre em disfarçar, apenas murmurou um "tô com sono" e saiu da mesa.

A última semana de aula virou um corredor polonês. Cada risada e cada cochicho pareciam dirigidos a eles. Marcela nem precisava estar presente; a ameaça bastava. João tinha certeza de que todos sabiam, e até Erick perdeu a postura do "bonitão" intocável.

À tarde, no vestiário vazio, Erick encurralou João perto dos chuveiros. A tensão entre eles era elétrica, mas não era mais de desejo. Era uma necessidade desesperada de reafirmar que não eram o que Marcela disse.

— Ela não contou, João. Se tivesse contado, a gente já estaria na diretoria — Erick sussurrou, a voz tensa.

— Mas eles olham, Erick! Tu não vê? Eles sabem! — João rebateu, as lágrimas de frustração e baixa autoestima começando a descer. — Eu sou um lixo, olha pra mim. Eu sou o nerd nojento que o irmão come.

Erick segurou o rosto de João. Por um instinto antigo, ele tentou beijá-lo, tentando buscar o conforto que sempre tiveram. Mas quando os lábios se tocaram, algo mudou. O gosto da boca de Erick, que antes era o paraíso de João, agora parecia ter gosto de podridão. O cheiro do suor de Erick não era mais excitante; era nauseabundo.

João se afastou com um solavanco, limpando a boca com força, com uma expressão de puro asco.

— Não... para. Me dá nojo — João disse, a voz quebrada.

Erick ficou paralisado. Ver o próprio irmão, a única pessoa que sempre o desejou sem julgamentos, sentir nojo dele, foi o golpe final em seu ego.

— Nojo? — Erick repetiu, a voz ficando rouca de raiva e mágoa. — Agora você tem nojo, João? Depois de tudo o que a gente fez? Depois de você engolir cada gota de porra minha com essa cara de santa?

— Ela tem razão, Erick! A gente é doente! — João gritou baixo, o peito subindo e descendo. — A gente se toca e eu sinto cheiro de merda, de coisa estragada.

Erick avançou e segurou o pescoço de João, prensando-o contra o azulejo gelado. O pau de Erick estava mole, sem qualquer reação. A confusão na cabeça dele era total. Ele queria bater em João, queria chorar, queria sumir.

— Se a gente é doente, a gente vai pro inferno junto, entendeu? — Erick rosnou, o rosto a centímetros do de João. — Eu não vou cair sozinho.

Eles ficaram ali, dois irmãos que se amavam de um jeito torto e proibido, agora unidos apenas pelo ódio e pela repulsa mútua. O desejo tinha sido substituído por uma paranoia corrosiva. Eles voltaram para casa em ônibus separados, o silêncio entre eles agora era uma muralha de espinhos.

Naquela noite, no quarto escuro, cada um ficou em sua cama. João ouvia Erick se virar de um lado para o outro, e cada vez que o lençol fazia barulho, João sentia um arrepio de pavor. Ele tinha medo de Erick, tinha medo de si mesmo e, acima de tudo, tinha medo de que a mãe entrasse no quarto e visse o que eles tinham se tornado. A "maldade" finalmente tinha vencido, e o que sobrou foi o vazio.

Capítulo 5: O Pacto de Sangue e Sêmen

A última semana de aula havia passado como um borrão cinzento. O silêncio na casa em Porto Alegre era tão denso que parecia que as paredes estavam diminuindo. Naquela noite, o abafamento da cidade anunciava uma tempestade que não vinha. João e Erick entraram no quarto e trancaram a porta. Não havia mais espaço para fugir.

Erick começou a se despir devagar, sem a pressa das outras vezes. João fez o mesmo. Quando ficaram frente a frente, já não havia brincadeira nem desculpa entre eles. João encarou os olhos do irmão.

— Tu me ama, Erick? — a voz de João saiu rouca, quase um sussurro. — É isso que tu quer? De verdade?

Erick não desviou o olhar. Ele deu mais um passo, diminuindo a distância até que o calor dos corpos se misturasse.

— Tu sabe o que isso envolve, João — Erick respondeu, a voz grave, sem o deboche de antes. — A gente não tá mais se "ajudando". A gente é gay, João. Eu e tu. E a gente é irmão. Isso é o maior tabu que existe. Se alguém descobrir, a gente tá morto. A mãe, o pai, o pessoal da escola... vai ser dolorido pra caralho se eles souberem.

João sentiu uma lágrima quente escorrer pelo rosto, limpando o caminho entre as marcas de acne.

— Eu sei. Eu sinto nojo de mim, Erick. Mas eu sinto mais fome de ti do que nojo de mim.

Erick esticou a mão e segurou o rosto de João. O toque foi diferente. Não era agressivo, era possessivo e real.

— Então para de chorar. Se a gente é doente, a gente vai ser os doentes mais sujos desse mundo. Ninguém vai ver, ninguém vai saber. Vai ser só eu e tu, nesse inferno.

Erick puxou João para um beijo que selou o destino deles. Não houve pressa. Foi um beijo profundo, com gosto de aceitação e desespero. As línguas se enrolavam enquanto as mãos de Erick exploravam o corpo de João, apertando sua cintura, descendo pelas nádegas. João se agarrou ao pescoço de Erick, sentindo a pele lisa do irmão contra a sua.

Eles caíram na cama de João. O colchão rangeu sob o peso dos dois corpos nus. Erick se posicionou entre as pernas de João, olhando para ele. Ele pegou o pau de João, que já estava latejando, duro e apontado para cima, e o apertou junto com o seu.

— Olha pra mim, João. Diz que tu é meu.

— Eu sou teu, Erick. Sempre fui.

Dessa vez, a intimidade entre eles teve menos pressa e mais peso. João queria transformar em certeza aquilo que até então os dois tratavam como impulso.

Quando continuaram, não havia a mesma raiva das cenas anteriores. O gesto ainda carregava posse, mas agora vinha acompanhado de uma decisão consciente de permanecerem juntos. João se agarrou a Erick, observando as sombras dos dois na parede.

— Mais... Erick... me quebra... me faz teu de vez — João implorava, a voz sumindo no meio dos gemidos.

Erick acelerou. A foda ficou brutal, visceral. O suor de um pingava no outro, misturando-se à saliva e aos fluidos. O quarto cheirava a sexo puro, a homem, a algo que tinha sido cozinhado por anos no escuro. Erick segurava o rosto de João, obrigando-o a olhar nos seus olhos enquanto o arrebentava por dentro.

— A gente é gay, João! — Erick rosnou no clímax. — E eu te amo, seu porco!

O orgasmo atingiu os dois como um terremoto. Erick gozou fundo dentro de João, sentindo os jatos quentes inundarem o rabo do irmão, enquanto João explodia sobre o próprio peito e o pescoço de Erick, a porra voando alto.

Eles ficaram abraçados, os corpos trêmulos, o sêmen escorrendo e colando as peles. O silêncio voltou, mas agora não era tóxico. Era o silêncio de quem aceitou a própria condenação.

João se aninhou no peito de Erick, sentindo o coração do irmão bater rápido. Eles sabiam que o mundo lá fora continuaria sendo perigoso, que Marcela tinha razão sobre a "podridão", mas ali, naquele quarto, sob o edredom sujo, eles eram os reis do próprio inferno.

— Amanhã a gente limpa a cama — sussurrou Erick, beijando o topo da cabeça de João.

— Amanhã a gente vê — João respondeu, fechando os olhos. — Agora eu só quero dormir contigo.

Eles dormiram nus, colados pelo suor e pelo sêmen, sabendo que a partir daquela noite, não havia mais volta. Eram um só, contra tudo e contra todos, trancados em seu paraíso proibido.


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